MESTRES \ In Memória













MESTRE: Aldízio Gonçalves da Silva
Mestre Aldízio Ferreiro


Aldízio Gonçalves da Silva, o Mestre Aldízio, nasceu no dia 2 de agosto de 1927, na Cidade de Assaré, Ceará. Era pai de 15 filhos, com inúmeros netos e alguns bisnetos. Filho de João Gonçalves da Silva e Maria das Dores da Conceição, viveu boa parte de sua vida na Serra de Santana, sendo que, aos 43 anos, mudou-se para o Distrito do Amaro, também no Município de Assaré.
Entre as décadas de 1960 e 1970, os tempos eram difíceis, sobretudo por causa da seca e, muitas vezes, Mestre Aldízio fazia o percurso entre Serra de Santana e Amaro a pé. Em outras ocasiões, os filhos, ainda pequenos, lhe esperavam próximo à localidade da Bonita para levar os insumos que ele conseguia para casa.
Mestre Aldízio dominava o ofício de ferreiro e realizava muitos serviços, em sua pequena ferraria no Amaro. Era conhecido pela destreza em manusear o ferro e extrair as mais belas e variadas peças, para uso de seus companheiros, trabalhadores do campo. Com a matéria-prima na mão, dava vida a esporas, foices, machados e todo tipo de obra que se pudesse imaginar, a partir do ferro.
Com os filhos crescidos e morando no Sul em busca de melhores condições de vida, mestre Aldízio passou a viajar com frequência para visitá-los. Mesmo nesses momentos de passeio, não deixava de lembrar-se de seu ofício e de sua oficina. Andava pelas ruas da cidade grande, observando se havia algum pedaço de ferro ou qualquer outro material que pudesse levar, para aproveitar e dar forma em sua ferraria. Além disso, sempre trazia algo novo para incrementar o seu negócio. Grande foi sua alegria, quando os filhos lhe presentearam com uma máquina de solda, que era um sonho antigo do velho ferreiro.
No final da década de 1990, o mestre ferreiro passou a morar na Sede do Município de Assaré. Montou sua oficina na Rua Dr. Paiva, onde recebia as encomendas, agora de toda parte da Cidade. Nos dias de feira, o pequeno espaço da ferraria ficava repleto de pessoas, que admiravam sua arte e sua conversa.
Sim, a sua conversa! Pois além de ser um exímio ferreiro, Mestre Aldízio era ‘‘Senhor das Anedotas’’. Sujeito taciturno, de poucas palavras, sempre soltava uma de suas piadas, criadas instantaneamente, com a precisão de um comediante nato. Não precisava registro escrito, nem apresentação formal para essa sua arte, pois sua marca era a caráter folclórico testemunhado pelas pessoas que tiveram a oportunidade de compartilhar desses momentos e, hoje, contam as suas histórias acompanhadas de boas risadas.

No dia 11 de fevereiro de 2013, o mestre partiu. Na madrugada, sereno, deu seu último suspiro sem poder contar mais uma de suas anedotas. Mas, suas histórias estavam na calçada, em seu velório, e ainda estão na boca do povo que reconhece a sua importância e o seu legado para a Cultura Popular. Por esse motivo a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe condecoraram com o título de Mestre da Cultura Assareense.



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MESTRE: Anacleto Dias de Oliveira
Mestre Anacleto Violeiro


ANACLETO DIAS DE OLIVEIRA nasceu no Sítio Cacimbas, hoje Município de Tarrafas, aos 17 de outubro de 1921. Tendo como irmãos: Amália Dias de Oliveira, (falecida), Maria Dias de Oliveira, (falecida), José Bruno de Oliveira, (falecido), Expedito Dias de Oliveira, carinhosamente chamado de Dôzinho (falecido), José Dias de Oliveira (Zé Garcia, falecido, além de irmão, amigo íntimo, aquele que tinha grande aproximação), João Matias de Oliveira, Maria Dasdores de Oliveira (falecida), Francisca Dias de Oliveira (falecida), Anápole Dias de Oliveira (falecido), Cândida Dias de Oliveira (carinhosamente chamada pelas amigas de Cidinha, Santa Dias de Oliveira (falecida) e Antônio Dias de Oliveira.
Toda essa família de 13 filhos tinha como genitores, o casal de agricultores Joaquim Dias de Oliveira e Genoveva Maria de Jesus. Ambos criados com disciplina e ética entre o Sítio Cacimbas e o Sítio Capão, que era, propriedade do mestre. Período de desprezo político, de constantes estiagens, 1932, Joaquim Bruno, como era chamado, consegue criar seus filhos com muita dificuldade. Entre essa enorme família, existia um que se destacava: Anacleto Dias de Oliveira que, desde cedo, gostava de ouvir um cantador que fosse de improviso ou uma boa música do som de um violão. As Cacimbas era perto da Serra de Santana, terra do Poeta Patativa do Assaré. Quando Anacleto nasceu em 1921, Patativa com 16 anos, aprendendo a tocar e cantar de improviso, inclusive na casa de Joaquim Bruno seu amigo. Quando ele se tornou profissional, cantava e inspirava Anacleto, ainda criança, que veio, mais na frente, a ser seu parceiro de cantoria. Aos 15 anos de idade, Anacleto compra uma viola e, em seguida, começa a tocar e a cantar. Sua voz era o temor do sertão, encantava a família, os amigos e vizinhos, seus primeiros ouvintes. Neste período, Patativa tinha trinta anos e já era profissional e convocou Anacleto a bater asas no mundo da cantoria. Este torna-se profissional e canta muito com Patativa, Alexandre, Zé Gonçalves e outros violeiros que ia encontrando. Sua voz era de grande expressão, principalmente quando cantava romances e canções, sendo ouvida, durante a madrugada, de lugares distantes do evento que ele se apresentava.

Um de seus pontos altos da cantoria foi se apresentar em Fortaleza para a senhora Nezinha Galeno, filha do poeta Juvenal Galeno. Em 1964, antes de edificarem a estátua da horta, ele ganha um concurso de poesia organizado por Pedro Bandeira de Caldas entre todos os poetas da Região do Cariri. Voz bonita, improvisava e tocava bem, era homem que, onde chegasse a se apresentar com seu falar eloquente, bom porte físico e elegância no vestir chamava a atenção. Eram muitas as moças que iam as cantorias, mais para ver o cantador do que para ouvi-lo cantar. Nas festas de viola, em evidência na época, ele se tornou um boêmio. Muitos amigos e familiares lhe apelidaram de “doutorzinho”, era um ídolo nas festas que participou. Mas uma mulher lhe chamou a atenção, e muito rápido conquistou seu coração foi Vicência Maria da Conceição, com quem, em 1949, casou-se e, dessa união conjugal, nasceram: Francisca Dias de Souza (Francy), Francisco Vanilton de Oliveira (Vevê para os amigos, já falecidos), Maria de Lourdes Dias de Oliveira (Luvany/Lourdevan), Joaquim Dias de Oliveira, Francimeire Dias de Souza (Meirinha), Francilene Dias de Oliveira (Laninha), Emanuel Dias de Oliveira e Vildenberque Dias de Oliveira (faleceram recém-nascidos), e, um filho adotado, Antônio Tomaz Neto. Essa é a prole do nosso querido poeta, que dedicou sua vida ao improviso ao som da viola, também com Miceno Pereira, Manuel do Cego, Geraldo Amâncio e toda a família Bandeira. Entre as várias homenagens, o poeta Anacleto Dias de Oliveira (nosso doutorzinho) recebe da Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e da Gestão Municipal o título de “Mestre da Cultura Assareensse” pelos Saberes e Fazeres na Cantoria de Viola.



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MESTRE: Antonio Delfino da Silva
Mestre Seu Ecílio

Antônio Delfino da Silva nasceu no dia 17 de fevereiro de 1922, no Estado do Maranhão. Filho de Cícero Delfino da Silva e de Benedita Paiva da Silva. Veio para o Ceará com aproximadamente 16 anos, na companhia de sua avó. Mas Antônio Delfino da Silva (popularmente chamado de seu Ecílio), deixou no Maranhão 10 irmãos: Pedro (apelidado de Vaniro), Balbina (apelidada de Loura), Emanoel (apelidado de Nélson), Francisco, Juarez (apelidado de José), Jaconias, Maria (apelidada de Risor), Antônia (apelidada de Dalcy), Aurizete (apelidada de Luzia) e José (falecido aos seis anos).
Seu Ecílio, assim conhecido em Assaré, casou-se cedo com uma prima denominada de Maria de Lourdes Matias da Silva e, do casamento, nasceram cinco filhos, que são: Francisca Edileuza da Silva, Raimundo Valderir da Silva, Antônio Alderir da Silva, Benedita da Silva e Maria Edilsa da Silva.
Seu Ecílio enviuvou e, com o passar do tempo, casou-se pela segunda vez, desta, com Luíza Alves da Silva e deste casamento nasceram os seguintes filhos: José Neto Alves Damaceno, Francisco Gilberto Alves da Silva, Maria Jucicleide  Silva de Oliveira, Cícero Alves da Silva, Maria Auxiliadora Alves da Silva, Rosália Alves da Silva, Cícero Delfino da Silva, Francisco Alves da Silva e Welington Silva de Oliveira; esse último, filho adotivo.
Desde os 16 anos, que seu Ecílio aprendeu a fabricar e vender quebra queixo. Desse ofício, ele criou toda a sua família, trabalhando também na agricultura. Seus produtos caseiros eram vendidos nas festas, nas feiras em Assaré e em outras cidades circunvizinhas, porém fez sua história dentro do Mercado Central de Assaré. Foram mais de quarenta anos nessa labuta e centenas de pessoas saborearam o “doce” de Seu Ecílio.
Por esse motivo, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe atribuiram o título de Mestre dos Saberes e Fazeres da Cultura Assareense.


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MESTRE: Antonia Naylêe Costa Santana
Mestra Dona Naylêe

Antônia Naylêe Costa Santana nasceu em Assaré-CE, no dia 12 de junho de 1939, filha de Marculino Martins da Costa e Maria das Dores Pereira Costa, de uma família de 04 filhos: ela, Antônia Naylêe Costa Santana; Maria Adeisa Ribeiro; Maria da Costa Mota e Antônio Ribamar Costa. Casou-se em 31 de Maio de 1961 com Aderson Alves Santana, e tiveram 02 filhas.
Dona Naylêe foi catequista, trabalhou na loja de Raimundo Dias, em Assaré, e,  aos 16 anos de idade, começou a fazer parte da Confraria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Assaré, a convite do Padre Agamenon de Matos Coelho, da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. Ela foi secretária e, depois, tesoureira por muito tempo. Era encarregada, também, das obrigações de visitar uma pessoa quando ficava doente, rezar o terço, e rezar o ofício da Imaculada Conceição, todos os sábados, às 17 horas, na Matriz. Dona Naylêe contribuiu com a Igreja, recebendo dos fiéis as suas “ofertas” as quais eram usadas para comprar velas, flores a serem utilizadas nas épocas de festa da Igreja e, também, para celebrar missas aos irmãos vivos e falecidos. Todos os anos, celebrava o novenário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na primeira semana do mês de julho, sendo que a sua data de comemoração é no dia 28 de junho.
Devota de Nossa Senhora das Dores, foi uma incentivadora da religiosidade no Assaré, com seu trabalho e exemplo para comunidade.
Devido os saberes e fazeres de Dona Naylêe, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal de Assaré reconheceu e atribuiu em vida o título de Mestra da Cultura Assareense em Religiosidade.



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MESTRE: Francisca Ferreira de Araújo
Mestra Dona Francisca

Francisca Ferreira de Araújo nasceu no Sítio São Vicente, Município de Assaré, no dia 03 de abril de 1941, sendo filha de Maria Sabina da Conceição e Cícero Ferreira de Araújo. Casada com Pedro Brás do Nascimento, teve os seguintes filhos: Francisco Araújo do Nascimento, Cícero Ferreira do Nascimento e Maria Aparecida Ferreira do Nascimento.
Dona Francisca sai do São Vicente e vai morar no Papa-mel na propriedade de Vicente Liberalino. Lá, ela ainda jovem, religiosa fervorosa, conheceu a dança através de um tio chamado “Amâncio'', que era cantor de um grupo de folguedo.
Dona Francisca gostou e começou a participar como dançarina. O Grupo tinha 16 pessoas, 12 mulheres e quatro homens. Uma dança durava em torno de 24 jornadas. Uma jornada completava o círculo e durava uma média de duas horas.
Dona Francisca dedicou muitos anos de sua vida a essa tradição popular, pagando promessas e animando as comunidades próximas ao Papa-mel, chegando a dançar em outros municípios. A dança de São Gonçalo é uma tradição de cultura do Assaré e Dona Francisca foi umas das principais personagens dessa tradição cultural. Por esse motivo a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe atribuíram o título de Mestra dos Saberes e Fazeres da Cultura Popular Assareense.


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MESTRE: Francisco Paes de Castro
Mestre Chico Paes


Francisco Paes de Castro (Chico Paes) nasceu em Assaré, no dia 23 de outubro de 1925. Agricultor, casado com Maria Helena da Silva, com quem teve 03 filhos. Chico Paes morou no Sítio Riacho do Felipe, no Município de Tarrafas e, com 08 anos, começou a tocar harmônica de oito baixos, instrumento musical conhecido popularmente como sanfona pé de bode, dando os seus acordes iniciais com o seu pai que já era sanfoneiro. Sempre vendo o seu pai tocar, pegava a sanfona escondido do mesmo, quando ele ia para o roçado trabalhar. Sua família é composta de 09 irmãos, dos quais, 02 tocavam instrumentos musicais.
Nosso mestre, além de tocar sanfona, também tocou, junto com o seu pai, zabumba e pandeiro, que era a sua grande inspiração. Cada vez mais entusiasmado com talento do filho, seu pai comprou o primeiro instrumento musical ele e o mesmo teve que pagar trabalhando na roça. Aos 20 anos, Chico Paes já tocava sanfona de oito baixos profissionalmente em festas, casamentos, aniversários e com amigos. Começaram a reconhecer o seu sucesso como tocador na região, e assim encontrou muitos parceiros, dentre eles o maior tocador da região, que era Zé Pinheiro da Paraíba, que já faleceu, se apresentando por muitas vezes juntos.
Depois de sua fama já consolidada, seu Chico lançou uma música que fez muito sucesso, ‘‘Copo Cheio’’, e tem uma curiosa história, pois tudo começou quando ele estava em uma roda de amigos, bebendo numa mesa de bar e os copos estavam todos cheios de cerveja, assim ele compôs essa música.
O nosso mestre já foi convidado para tocar nas festas de Patativa por muito tempo e, também, sempre recebia convites para tocar com grandes artistas como: Dominguinhos, Alcimar Monteiro, Jorge de Altinho, Dorgival Dantas e outros. Chico Paes já possui um CD gravado com 15 músicas e tinha grande ciúme da sua sanfona, pois, através dela, ele expunha as suas músicas já gravadas e de outros artistas. O seu ciúme era tanto, que não deixava qualquer pessoa tocar, só quem realmente sabia, por isso ele falou que a sua sanfona pé de bode seria o seu casamento pro resto da vida.

Entre as várias homenagens, o mestre Chico Paz recebeu da Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e da Administração Municipal de Assaré o título de “Mestre da Cultura Assareense” pelos Saberes e Fazeres.



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MESTRE: Geraldo Gonçalves de Alencar
Mestre Geraldo Gonçalves

AUTOBIOGRAFIA de Geraldo Gonçalves
Nasci a 10 de setembro de 1945, no Sítio Serra de Santana, que se localiza a 18 quilômetros de distância da Cidade de Assaré.
Recebi, na pia batismal, o nome de Geraldo e no registro de nascimento, esse nome seguido dos sobrenomes:

 Gonçalves de Alencar.

São meus pais: José Gonçalves de Alencar e Maria Risalva e Silva.

Tenho três irmãos, que são: Terezinha, Marília e Maurício. Aprendi as primeiras letras no Sítio Serra de Santana, fiz o Primário em Assaré e o 1º e 2º ginasial, em Crato no ano de 1962.
Desde a idade de 08 anos, que adoro poesia e, na minha infância, o meu melhor divertimento era ler versos de cordel. Depois da publicação do livro “Inspiração Nordestina, de PATATIVA DO ASSARÉ, minha atenção voltou-se para as poesias matutas e com tanto interesse, que logo em breve passei a escrever poesias campestres. Mas na linguagem matuta mesmo, só depois do programa de Elói Teles, “COISA DO MEU SERTÃO”, em 1965.
Casei-me em 1970 com Maria Fideralino de Lima, também do Sítio Serra de Santana. Da nossa união nasceram seis filhas, denominadas de: GEOVANA, CRISTIANE, OFÉLIA, ADELAIDE, EUGÊNIA   e IOLANDA.
Escrevi, sobretudo, cordéis, poesias, poemas e sonetos – textos diversos em temáticas diversificadas.
A minha obra literária, considero vasta, e aqui enumero algumas:
LIVROS:  Suspiros do Sertão, Clarão da Lua Cheia, Atrativos do Amor e da Paz, Poemas (Reflexos), O Homem Provisório, Ramalhe (Sonetos & Trovas), Ao Pé da Mesa, em parceria com PATATIVA, Balceiros 1, 2 e 3. Vários cordéis, dois CD's e orientei muitos estudiosos da poesia popular.
Por tamanho talento e pela sua contribuição para o engrandecimento da cultura, a Gestão Municipal e a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer atribuíram a Geraldo Gonçalves o título de Mestre dos Saberes e Fazeres da Cultura Assareense.



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MESTRE: João Duarte Pinheiro
Mestre João Duarte

João Duarte Pinheiro (João Duarte) nasceu em 06 de março de 1918, filho de Joaquim Duarte Pinheiro e Rosa Esmeraldina de Souza. Casado com Josefa Alexandrina de Avelar, no dia 07 de março de 1943.
De seu casamento nasceram os seguintes filhos: Josefa Duarte Pinheiro, Pedro Duarte Pinheiro, Benedito Duarte Pinheiro, Francisco Duarte Pinheiro, José Duarte Pinheiro, Damião Duarte Pinheiro, Luzia Duarte Pinheiro, Antônia Fatima Pinheiro, Luzia Socorro Pinheiro e Luzia Tânia Pinheiro. Tendo ainda aumentado sua família com mais quatro filhas adotivas: Maria Gonçalves de Alencar, Rosa Esmeraldo Pinheiro Oliveira, Luzia Pereira de Amorim e Paulo Pereira de Amorim.
“Filho de peixe, peixinho é”, João herda o dom do pai, que era vaqueiro profissional aos dez anos, ajudando-o no manejo com o gado no Sítio Cachoeira, na fazenda do senhor Felipe Bezerra, onde o pai recebia a renda do gado de quatro, uma.
Ele, tornou-se vaqueiro profissional aos 15 anos e trabalhava para ajudar à família. Aos 25 anos, casou-se e passou a montar sua casa na luta do gado.
Era, sem dúvida, de uma família de vaqueiros, pois além dele e do pai, existiam Israel Duarte Pinheiro e Benjamim Duarte Pinheiro, excelentes profissionais. João Duarte trabalhou até o ano de 1957, em uma fazenda no Sítio Cachoeira. Dizem, que seu pai pegava boi a qualquer hora ou tempo: seja no sol ou na chuva; de noite ou de dia. João era homem bravo, pegava boi mandingueiro, porém sofreu acidentes graves. Por exemplo, no Sítio Boqueirão, hoje Boqueirão das Baratas, foi passar em baixo de uma árvore, bateu a perna num toco e quebrou. Não tirou a perneira, conseguiu vir à cidade e foi tratado por Dr. Gentil, que colocou na perna duas telhas e mandou para casa, repousar. Com 60 dias, já estava na luta com o gado. Noutro acidente, quebrou várias costelas e quase morreu. Porém, Doutor Gentil lhe trata, novamente. O terceiro, um dos mais graves foi quando em suas andanças campeando no Município de Crato, uma ponta de madeira entrou em seu olho e saiu no ouvido. Dessa vez, foi atendido por um oculista daquele Município.
Com suas economias, comprou o Sítio Barbosa, onde passou a lidar com o gado e produção de algodão. Lutou com gado até aproximadamente 75 anos, quando adoeceu e só lhe restou saudade da lida do campo, onde foi considerado herói na pegada de boi. Por esse motivo a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe condecoraram com o título de Mestre da Cultura Assareense, na modalidade vaqueiro tradicional.



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MESTRE: José Barata Pinto
Mestre José Barata

No dia 18 de julho de 1928, no Sítio Boqueirão, nasceu José Barata Pinto, filho de Francisco Barata e Antônia Pinto Pereira que carinhosamente era chamada de “Mundica”. Os pais de José Barata Pinto moravam no Boqueirão e eram donos da propriedade. Naquela época, existiam duas profissões que o matuto sertanejo aprendia: agricultor e vaqueiro. José herda do pai as duas profissões, mas se destaca na profissão de vaqueiro. Desde muito jovem, já era respeitado pelos mais velhos da profissão. Além de vaqueiro tinha habilidade para amansar burro brabo, e os animais era o único meio para transportar mercadorias, por isso não faltava animal na sua roça, para ser domesticado.
Era conhecido e respeitado por todos da região, principalmente pelos companheiros de profissão e fazendeiros. Encantou-se por uma sertaneja com o nome de Cândida Daniel Pinto, a bravura do vaqueiro por terra, paixão que com o consentimento de seus pais e dos pais de dona Cândida, casaram-se e foram morar no sitio Boqueirão. Deste matrimônio, nasceram nove filhos: Francisco Daniel Pinto, conhecido como Chiquinho de Zeza; Francisco Alcides Pinto, conhecido como Alcides de Zeza; Maria de Fátima Pinto Pereira; José Alzir Pinto; Antônio Aldir Pinto; Maria Socorro Pinto Freire; Maria das Dores Pinto; José Barata Filho e Rita de Cássia Pinto. Cria os 09 filhos na luta com a agricultura e na lida de vaqueiro, e sua esposa fiel companheira era responsável pela casa e educação dos filhos. 08 dos seus filhos, nasceram no Boqueirão, somente Aldair nasceu na Serra da Ema, quando José Barata Pinto vai morar na propriedade de Doutor Milton Montenegro, diretor proprietário da usina de despolpar algodão, localizada no Centro da Cidade de Assaré.
 Com o passar do tempo, seus pais morreram e o Boqueirão torna-se uma propriedade por herança. Com a fama de vaqueiro adquirida, ficou conhecido e apelidado de Zeza Barata e o lugar, para não confundir com outros Sítios Boqueirões, ficou e continua sendo Boqueirão dos Baratas, apelido herdado de sua bisavó segundo Fátima, filha mais velha de Zeza Barata. Dos filhos, quem teve vocação para ser vaqueiro, profissão do pai, foi: Chiquinho e Aldir. Segundo Fátima, a primeira perneira de Chiquinho foi feita das mangas do gibão de seu pai. Ele tinha 08 anos de idade, seu pai o levou para o campo e correram atrás de um boi. Quando Zeza Barata derrubou o boi, Chiquinho estava no pé entregando a corda para o pai amarrar o boi.
Por muito tempo, foi vaqueiro de Dr. Nilton Montenegro, depois foi vaqueiro de padre Agamenon até a sua morte e, em seguida, foi vaqueiro de Raul Onofre. Trabalhando para Raul Onofre, ele sofre um acidente grave, que lhe tirou dos campos, causando-lhe muita tristeza. Esse acidente foi nos Inhamuns.
Correndo atrás de uma novilha, foi frear o cavalo e a rédea rompeu-se, ele caiu de costas, quebrando os dois braços, ficando com fraturas expostas, e passando muito tempo para se recuperar.
Ficou viúvo, morando no Boqueirão. Lugar onde que ele fundou um parque de vaquejada, em 1951, continuando até hoje, a tradição dos bolões por filhos e netos.
Mesmo fora dos campos, nunca lhe faltou um animal de montaria e arreação completa: peitoral, gibão, perneira, careta, tendo usado até o fim da vida, o sapato carnal e seu chapéu de couro, símbolo de um vaqueiro dedicado.
Por esse motivo a Gestão Municipal e a Secretária de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer lhe conferiram o título de Mestre da Cultura do Município de Assaré.



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MESTRE: José Lima Sobrinho
Mestre Zeca Lima 

A contação de história é uma tradição que passa de pais para filhos e está presente nos quatro cantos do Ceará. Seja no litoral, na serra, na capital, mais especialmente no interior, onde ainda se conserva, em muitas cidades, o hábito de contar e ouvir histórias. Podem ser de pescador, causos, anedotas ou contos, como mostra o cordel ‘‘Causos do meu avô’’, de autoria da professora Francy Freire. Em busca de traçar um perfil do mais conhecido contador de história tradicional de Assaré, a cordelista foca sua narrativa nas histórias que ouviu do seu avô José Lima Sobrinho (Zeca Lima), sobre quem conheceremos, a seguir. José Lima Sobrinho nasceu e se criou  no Sítio Porcinhos – zona rural de Assaré- no dia 17 de Abril de 1926. Filho de Antônio Lima de Sousa e Josefa Maria de Jesus, casou-se 03 vezes, e, desses matrimônios, teve dez 10 filhos, sendo eles: Maria das Graças Freire, Francisca das Chagas Freire, Antônio Gonçalves Lima, Antônio Emídio de Lima, Francisco Lima de Oliveira, Francisco Honório de Oliveira, Francisco Augusto de Oliveira, Antônia Francisca Lima de Souza, Francisca Marsônia de Oliveira e Francisca Marcônia de Oliveira Lima. Apenas aos 60 anos Seu Zeca veio morar com os filhos na Sede do Município, em busca de melhores condições de vida. Era comum, naquela época, o êxodo rural por ocasião de grandes períodos de seca. No entanto, a vinda do senhor Zeca Lima (como era conhecido) para a cidade, trazendo toda a linhagem, tinha outro objetivo: oferecer aos filhos uma educação de maior qualidade, com as professoras Dona Balbina Barata e Dona Ligia Firmeza, as mais conhecidas educadoras da época, assim como Dona Telina Almeida.
Muito devoto de São Francisco, foi, pelo menos duas vezes, de Assaré à cidade de Canindé a pé, pagando promessa. Nesse sentido, começou a viajar por várias cidades cearenses. Muito religioso, seu Zeca Lima fez parte durante 50 anos da irmandade “Irmãos do Santíssimo”. Além de católico assíduo, seu Zeca era mesmo conhecido como um grande contador de causos. O povo do Assaré identificava-se imediatamente com suas histórias, espontâneas, que retratavam o universo do sertão, nas histórias dos antepassados, de assombração, de “trancoso”, etc. Essas histórias, muitas vezes eram contadas na feira de Assaré onde, rapidamente, ficou conhecido como um dos maiores contadores de causos da região, como mostra a nona estrofe do cordel “causos do meu avô”. ‘‘Outro dia, ele contou que um rapaz adoeceu, teve uma febre tão alta, deitou e adormeceu. O armador esquentou, que os punhos da rede fedeu’’. E continua o cordel, narrando as histórias contadas por Seu Zeca: ‘‘Mas a mãe deu um remédio e o rapaz se enrolou, a rede de algodão grossa gemeu, gemeu e calou. A mãe muito preocupada, foi ver se ele melhorou’’. E continua: ‘‘Ao descobri-lo na rede, ela quase desmaiou, o rapaz estava morto, no suor se afogou, o remédio que tomara, tirou a febre e matou. Seu Zeca Lima também ficou conhecido pela capacidade de ajudar as pessoas. Mesmo sendo humilde, de poucos recursos, fazia questão de ajudar a quem recorria à sua ajuda, no Bairro Serra da Ema, onde fundou residência. Nesse sentido, era comum gastar todo seu dinheiro, advindo da aposentadoria, distribuindo “feiras” aos mais necessitados. O reconhecimento oficial se deu, apenas 7, anos após sua morte. José Lima Sobrinho, ou simplesmente Seu Zeca Lima, morreu no dia 19 de novembro de 2005. Em 2018, o Poder Executivo Municipal, por meio do prefeito Evanderto Almeida, sancionou um projeto de lei, aprovado na Câmara Municipal de Assaré denominando de “Zeca Lima”, uma das novas ruas da cidade. Algumas das histórias de José Lima Sobrinho, você encontra no cordel “Causos do meu avô”, lançado em 2018 através da Secult Assaré, em parceria com o SESC Crato. Veja o que retrata as últimas duas estrofes do cordel: ‘‘Outro dia ele botou uns terrenos pra vender perguntaram: - onde fica e foram lá para ver - Acima da minha casa quem quiser pode escolher. Era acima do telhado o povo só gargalhou algumas de suas piadas em livro até constou’’.
Em 2012 foi homenageado (IN MEMÓRIA) como Mestre dos Saberes e Fezeres Populares de Assaré, na categoria “Contador de Causos” pela Gestão Municipal e Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer.


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MESTRA: Francisca Fernandes da Silva  ( IN MEMORIAM )
Nome Artístico: Dona Santa Rezadeira
Ofício: Mestra em Religiosidade

Francisca Fernandes da Silva, popularmente conhecida por Dona Santa, nasceu dia 03 de junho de 1927, é natural da Paraíba. Perdeu sua mãe, logo após o nascimento. Seus avós a acolheram e lhe criaram. Teve uma infância com muita dificuldade, se é que ela teve infância, pois trabalhava para ajudar nas despesas da casa e, diante de tal sofrimento, casa-se com 13 anos de idade. Teve 30 filhos, mas só sobreviveram 09.
No início do seu casamento, ela observava atentamente seu tio Sebasto, que rezava em pessoas acometidas de vários tipos de enfermidades e que lhe procuravam a fim de receberem uma graça, curando-se de suas doenças.
Dona Santa resolve seguir o seu tio Sebasto, fazendo o bem para as pessoas da época. Onde ela morava, não tinha assistência médica e, por esse e outros motivos, ela passou a praticar o ofício da reza, quando tinha apenas 14 anos de idade, exercício esse, aceito por toda a comunidade. Sofreu resistência de seu marido e de alguns familiares, porém ela não desistiu de seu oficio até o fim da vida. Foram 30 gravidezes, porém seus filhos sobreviventes foram: Maria Fernandes da Silva, Luiz Fernandes da Silva, Severino Fernandes da Silva, Josefa Fernandes dos Santos, Cicero Fernandes da Silva, Assis Fernandes da Silva, Lúcia Fernandes da Silva, Francisca Fernandes da Silva Filha e Pedro Fernandes da Silva. Criou os netos: Emanuel Fernandes da Silva, Luzinete Fernandes, Carlinhos Fernandes, entre outros, que fizeram da casa de Dona Santa moradia. Lá era o aconchego, onde podia faltar conforto, mas não faltava calor humano.
Dona Santa, em sua residência, recebia todos os dias várias pessoas para que ela praticasse o bem, sem olhar a quem:  a reza.  Pacientemente, sempre atendeu a todos praticando o dom que Deus lhe deu. Nas rezas ela usava folha de pião roxo e arruda. Ela revelou que, às vezes, usava uma cabeça de alho em seu bolso, pois ajuda, e sempre rezava uma oração específica para cada pessoa.
Segundo ela, sua reza só podia ser ensinada a pessoa do sexo oposto e não podia ser da família, por isso, nenhum de seus filhos podiam aprender suas orações.
Pela tradição e respeito a Dona Santa que a sociedade tem, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer junto à Gestão Municipal a homenageiam com o título de Mestra dos Saberes e Fazeres da Cultura Popular Assareense.




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MESTRE: Joaquim Pereira Lima
Mestre Joaquim de Cota

Joaquim Pereira Lima, nosso popular Joaquim de Cota, nasceu no Crato em 08 de julho de 1917 e recebeu o apelido de sua mãe que tinha o sobrenome de Cota. O filho de dona Cota tinha habilidade nos trabalhos manuais, chegando a fazer crochê com agulha de pau quando menino. Ele foi ferreiro e carpinteiro, porém, duas profissões que ele abraçou durante a vida foi a de agricultor e a de artesão em couro. O trabalho em couro começou aos 15 anos quando saiu do Crato, onde nasceu e, em 1945, adotou Assaré como moradia. Joaquim de Cota era um autodidata na criação de suas peças de forma artesanal. Foi um hábil fabricante de selas, selim, gibões, cinto de couro de cobra, arreios, bolsas, bainhas para facas, xaréus, etc.
A fama de Joaquim de Cota não estava na fabricação dos produtos e, sim, nos detalhes. Seus produtos foram vendidos no Cariri, no Ceará e no Brasil. Joaquim Pereira Lima, nosso popular Joaquim de Cota, casou-se com Maria Azevedo Rodrigues, união matrimonial que só foi separada com a morte. O casal teve os seguintes filhos: Francisco Rodrigues Pereira, Maria Ozenira Rodrigues, popularmente conhecida por (Bibita), Maria Ozemita Rodrigues conhecida por (Loura), Antônia Rodrigues, Antônio Rodrigues Pereira (conhecido por Mulico), Alzir Rodrigues Pereira e Maria de Fatima Rodrigues Nogueira. Essa é a família de Joaquim de Cota, à qual se dedicou durante toda a vida. Dominava a arte e sempre dividiu com quem se interessava e tinha o dom de aprender. Foram vários iniciantes, porém alguns tiveram sucesso ao aprender o artesanato em couro, por exemplo: Mulico, filho do artesão; Junior, neto; Joaquim de Azarias, amigo; Chico Catingueiras, genro; etc. O artesão fez sempre de sua oficina um espaço de visita e explicara as técnicas usadas para produzir o artesanato. Além da arte, era um contador de causo e, a noite, em vez de televisão, sentava na calçada e, quando provocado, não faltava uma história a ser contada. Por exemplo, diz seu Joaquim que: “quando era rapazinho gostava de andar de cavalo, levou um tombo foi no inferno, e viu o bicho ruim, e quando acordou tava em casa, e não pense que é brincadeira não, seu menino. Fiquei com o corpo tão quente, que passei três dias sem tomar banho porque o corpo não esfriava’’.
Mestre Joaquim de Cota, devido a sua habilidade e dedicação, na fabricação e no ofício de ensinar a arte em couro, recebeu da Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e da Gestão Municipal o título de Mestre dos Saberes e Fazeres Populares de Assaré.


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MESTRE: Lauda Ferreira do Nascimento
Mestra Lauda Ferreira

Lauda Ferreira do Nascimento nasceu em 25 de novembro de 1934, viveu toda a sua vida no Assaré. Filha de Manoel Ferreira do Nascimento e Maria Regina do Nascimento. Membro de uma família de 11 irmãos, que são: Antonio Ferreira do Nascimento, João Ferreira do Nascimento (conhecido como Dão), Eldo Ferreira do Nascimento, Elda Ferreira de Souza, Telma Ferreira de Lima, Selma Ferreira de Melo, Francisco Ferreira do Nascimento, José Ferreira do Nascimento (Feijó), motorista do Padre Agamenon e do Padre Manoel Feitosa, Raimundo Ferreira do Nascimento e Emídio Ferreira do Nascimento (Emilio). Lauda, durante sua vida, aprendeu a ser trabalhadora e forte, por isso, exerceu várias profissões, como: enfermeira, professora de datilografia, diretora do Centro de Telefonia do Assaré e dentista leiga, profissão que abraçou com o maior carinho.
Como enfermeira, trabalhou com Dr. Gentil, farmacêutico respeitado e filho do Assaré; com Dr. Mário Gomes, farmacêutico muito conceituado, filho de Jucás e com Dr. Francisco Mota. Ela ajudava em pequenas e grandes cirurgias feitas pelos primeiros farmacêuticos.
As pessoas que estudaram na década de 70 e 80, do século passado, a maioria estudou datilografia com Lauda. E por último, coordenou a cabina de telefones residenciais, em sua casa.
Lauda, desde jovem, teve uma grande paixão pela profissão de dentista, nunca lhe faltou aparelhos para a extração de dentes, fossem de crianças, de jovens e de adultos ou de idosos. Nas segundas-feiras recebia pessoas de todos os sítios e da Sede do Município. Naquele tempo, quando um dente doía, ela fazia a extração. Confeccionava dentadura com a ajuda de sua irmã Selma, porém a grande paixão e habilidade, era a extração. Morreu e deixou seus aparelhos como lembrança de uma dentista leiga, que prestou relevantes serviços à comunidade.
A Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal, por esses importantes serviços de dentista leiga lhe conferem o título de Mestra dos Saberes e Fazeres da Cultura Popular Assareense.



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MESTRE: Luiza Assunção do Nascimento
Mestra Luiza do Eldo

Luiza Assunção do Nascimento (Luiza do Eldo) nasceu em Iguatu-CE, no dia 23 de setembro de 1931. Filha de Cândido Alexandre de Oliveira e Etelvina Assunção de Oliveira, família composta também por seus 11 irmãos: Edilson, Valdo, Aurilio, Climerio, João, José, Maria Assunção, Auristela, Terezinha e Francisca (Dodó) Neta. Casou-se no dia 24 de julho de 1950 com Eldo Ferreira do Nascimento, com o qual teve 05 filhos: José Ferreira do Nascimento, Valdenia Ferreira Furtado, Valdelice Ferreira Soares, Maria Aparecida Ferreira, Antônio Edmar Ferreira, Francisco Helder Ferreira, Maria da Gloria Santos (filha adotiva).
Começou a fazer comida no Mercado quando tinha 40 anos de idade e, depois, resolveu fazer linguiça caseira, o que aprendeu sozinha sem ajuda de ninguém. Quando casou em 1950, ela e o esposo começaram a trabalhar juntos no Mercado fazendo caldos, sopas e a tapioca com linguiça, que era o prato principal.
A linguiça era preparada com a tripa de gado, que era posta de molho em água quente. Depois usava um funil de alumínio para encher as tripas com a carne e todos os temperos. Utilizava um pedaço de madeira com uma agulha fixada pra furar as tripas, quando ficavam prontas, colocavam as linguiças em uma corda para secarem por umas 05 horas, até ficar no ponto. A carne que usava, era colchão mole ou a pá do porco, e com 1,5 kg de carne, daria pra fazer um metro de linguiça caseira.
Dona Luiza vendia a linguiça por palmo ou metro, o que custava em torno de R$ 30,00. Inclusive vendeu pra muitos lugares como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e às pessoas que eram freguesas.
Em 2010 recebeu visitas de jornalistas da “TV Cidade” e Jornal “O Povo”, de Fortaleza para fazerem entrevistas sobre sua arte de culinária.
Deixou de praticar a referida arte devido a problemas de saúde no ano de 2011, repassando seus conhecimentos para sua filha Aparecida. Logo depois, no dia 29 de novembro de 2012, teve uma grande perda, o falecimento de seu marido.
Devido à sua dedicação à arte culinária a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal a reconheceram como Mestra da Cultura do Assaré pelos Saberes e Fazeres da Cultura Local.


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MESTRE: Margarida Arrais do Nascimento
Mestra Margarida Arrais

Nasceu em 27 de setembro 1918 em Assaré, filha de Alexandre de Matos, conhecido como ''Neném Arrais'', e Marieta Onofre de Souza. Margarida Arrais era filha de duas famílias influentes economicamente e politicamente: pelo lado materno, a família Onofre, expressão no Município de Assaré e do lado paterno, a família Arrais, espalhada pelo Cariri e por todo o Sertão dos Inhamuns. Seu pai manteve relações políticas com líderes de Jucás e Saboeiro, (na época era comum, quando não se resolvia as questões administrativas no diálogo, pegava-se em armas).
Foi nesse ambiente de disputa de poder, que nasceu Margarida Arrais. Perde sua mãe com quatro anos de idade, começa a vida sem o apoio materno e sem a presença da figura paterna, devido às constantes viagens. Mesmo assim, estudou com uma professora particular até a quarta série do Ensino Primário, dentro de sua casa.
 Aos 14 anos, perde seu pai que foi sepultado no mesmo túmulo de sua mãe no Cemitério São João Batista. Entre tantas dificuldades devido à ausência materna e paterna, Margarida procura, desde jovem, dar diretrizes à sua vida, tomando decisões, as vezes, contrárias aos homens de sua família. Postura que não era normal na primeira metade do século XX, onde a mulher tinha que ser submissa a quase tudo. Ela sempre reivindicava a liberdade feminina na sociedade em que vivia.
Defendeu suas ideias em defesa dos interesses políticos, herança de seu pai e em defesa do direito das mulheres que eram proibidas de participarem das decisões, de terem liberdade e direitos iguais, conquista contemplada na constituição de 1988.
Seu maior desafio veio com o casamento que aconteceu em 30 de dezembro de 1955, e perdurou por toda a vida, como exemplo de amor.
Era católica fervorosa, respeitando o código de ética da Igreja e todos os preceitos da fé cristã, tendo o padre como autoridade e seguindo os mandamentos da Igreja. Foi batizada pelo padre Emílio Cabral. Sucederam-se párocos com comportamentos diferentes, mas ela sempre respeitou as diferenças e, principalmente, o dogmatismo da Instituição. Enquanto pôde, além de participar de missas e festas, ela enfeitava o altar de Nossa Senhora das Dores, durante 42 anos, trocando flores artificiais por naturais, sendo a troca diária. Fundou o grupo de oração da Divina Misericórdia, coordenou e criou um projeto para adquirir dinheiro, comprando a imagem de Jesus da Misericórdia. Sempre foi responsável pela organização do altar de Nossa Senhora das Dores, passando a responsabilidade para sua filha Maria das Dores, que a pratica até hoje.
Em 1956, começou a montar um presépio em sua residência, realizando um sonho e até hoje sua filha conserva a construção anual desse espaço religioso, em memória à sua mãe, preservando a cultura da religiosidade popular de Dona Margarida Arrais.
A partir de 1957, criou e coordenou o grupo da Lapinha com a ajuda de Dona Ligia Firmeza.
Dona Margarida Arrais trouxe no sangue o fervor político, tanto do lado paterno como do materno. Mesmo perdendo seus genitores muito cedo, ela acolheu essa paixão familiar: sempre, teve a família ‘‘Catonho’’ como adversária política nas disputas partidárias. Viveu o período dos intendentes, das eleições para prefeito e da ditadura getulista, onde os conflitos eram constantes.
O Assaré também tinha suas disputas e Margarida Arrais, apesar de ser de um sexo discriminado, sempre esteve presente nos debates políticos, com pensamento e disputa bem definidos. Passando a ditadura militar, um grupo de líderes se reunem para dar andamento à política no Assaré, entre eles estavam: Vicente Torquatro do Amaro, Alencar Severino da Aratama, José Cândido e Chico Rogerio de Tarrafas. Euclides Onofre e Padre Agamenon Coelho decidiram colocar Dona Margarida como candidata a prefeita, e por ser única mulher da época filiada a um partido político e com poder de articulação. Ela não aceita e sugere o nome de Raul Onofre, seu primo, a ser o candidato. A partir desse momento, sempre esteve em defesa do grupo político de Raul Onofre, abandonando o grupo por questões pessoais, na eleição de Raul Onofre e João Bantim de Tarrafas verso Pedro Gonçalves.
         Nas questões humanitárias, ela sempre atendeu aos menos favorecidos dos sítios e periferias. A sua casa foi espaço de acolhimento tanto de filhos adotivos como de pessoas que, passeando ou trabalhando na cidade, procuravam e eram acolhidas. Ela lutou, de forma pratica, pelos direitos das mulheres, engajando-se nos movimentos sociais em nome do bem-estar do povo assareense. Por esse motivo, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe atribuíram o título de Mestra dos Saberes e Fazeres da Cultura Popular Assareense.


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MESTRE: Maria Deusa e Silva Almeida
Mestra Dona Deusa

Maria Deusa e Silva Almeida, natural de Assaré, nasceu no dia 08 de março de 1926, filha de Maria Santana de Souza e Manoel José do Nascimento, popularmente conhecido por Manuel Prudêncio. Dona Deusa foi, desde criança, educada dentro dos costumes da família e atendendo aos ensinamentos da Igreja Católica, da qual participava. Aos 08 anos de idade, ela já estava envolvida nos afazeres da Igreja, colaborando com o Padre Sabino no que era possível a uma criança fazer.
Seus pais colocaram Dona Deusa na escola, onde estudou até concluir o 4º ano na ‘‘Escola Reunida de Assaré’’: esse era o maior nível escolar do Assaré. Para dar continuidade, só no Crato, porém, seu poder financeiro a impossibilitou de continuar os estudos.
Dona Deusa aprendeu que a Igreja fazia parte de sua vida, por isso jamais deixou de servi-la, independentemente do Padre ou de coordenadores da instituição. Ela servia, atendendo à sua fé.
Tornou-se professora, alfabetizando os filhos de vários moradores de Assaré, inclusive os filhos de Patativa, na Serra Santana. Na sua sala de aula tinha algo diferente: ensina-la ler, a escrever e a cantar. Educava com conceito morais e étnicos e levava aprendizagem religiosa para a sala de aula, instruindo a rezar, enfim uma verdadeira catequista e, ainda, ensinava seus alunos a dramatizar a história da Igreja Católica. Por isso, por anos foi coordenadora da Lapinha tendo, como incentivadora, sua professora e amiga Ligia Firmeza.
Com 20 anos de idade ela se envolvia e amava três ações: professora, coroação de Nossa Senhora e participação da Lapinha, o que a tornava uma moça realizada.
Na sua época, a tendência de toda moça era um casamento. Com Dona Deusa não foi diferente, surge em sua vida José de Abreu Almeida.
Dona Deusa, sempre decidida, gostou, namorou e casou-se formando uma família de três filhos: Maria Deusimar de Abreu, Maria Deusilar de Abreu (falecida) e José Abreu Filho. Com o casamento, abandonou suas atividades? Jamais. Aumentou, com o marido participando do Cursílio de Cristandade com outros casais (semelhante ao ECC).
A convite de sua filha Deusilar realizou coroações na Cidade de Fortaleza, com visitas domiciliares e festa final, coroando Nossa Senhora de Fátima.
Através do Padre Manoel Feitosa, fez vários cursos de aperfeiçoamento para leigos da Igreja.
Com toda dedicação à igreja e à família, ela exercia outras funções como: feirante, com banca na feira, e vendedora de comida, para ajudar manter as despesas familiares.
por seu desvelo pela coroação de Nossa Senhora e pela Lapinha, que lembra fortemente Dona Deusa, no verso inicial:
‘‘Vamos todos para Belém,
Ao Deus Menino adorar,
Vamos, o que será, ora vamos ver,
Muito que admirar, o que vamos ver,
Vamos ver Maria, ora vamos ver,
A Jesus também, ora vamos ver,
A Jesus também, ora vamos ver...’’
(Caderno de cânticos de Dona Deusa) 
E no verso final que diz:
‘‘Adeus meu menino!
Adeus que me vou!
Até para o ano,
Se nós vivos for!
Essas palhinhas
Que vão se queimar...’’

Por esses motivos, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer junto à Gestão Municipal do Assaré lhe atribuem o título de Mestra dos Saberes e Fazeres da Cultura Assarense.


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MESTRE: Maria Aparecida Amadeu da Silva
Mestra Maria Paulista

Nascida em 15 de novembro de 1939 na cidade de Santo Anastácio, no Estado de São Paulo, Maria Aparecida Amadeu da Silva, conhecida em nossa comunidade como “Maria Paulista”, é descendente de italianos. Filha de Pedro Amadeu e Antônia Narezze, cresceu e passou parte de sua infância em sua cidade natal, depois se mudou com seus pais para cidade de Marialva no Estado do Paraná, onde passou o resto de sua infância e adolescência. Trabalhou com seus pais e irmãos na colheita do café por vários anos.
Conheceu José Justino da Silva, nascido na Cidade de Santana do Cariri, Estado do Ceará, sendo mais um cidadão que estava naquela cidade à procura de trabalho. Casaram-se e foram morar na Cidade de Maringá – PR. Dessa união nasceram três filhos: José Edson da Silva, João Eder da Silva e Maria Edna da Silva, os três paranaenses.
Em 1976, seu José Justino idealizou sua volta à terra natal, o que, pouco tempo depois, viera a acontecer. Porém, Dona Maria e seus filhos foram para a Cidade de Campinas, Estado de São Paulo, ficar com seus familiares, até seu José Justino organizar as coisas por aqui.
Dona Maria Paulista, com sua religiosidade veio morar no Nordeste, possuindo duas tradições culturais fortíssimas, que são as promessas aos santos e a reza para a cura de males como: dor de cabeça, quebrante em criança, espinhela caída, torção em alguma articulação etc. Sempre foi requisitada pela população local para fazer suas orações nas pessoas que lhe procuravam, onde gentilmente fazia o atendimento de forma gratuita, pura e simplesmente com a certeza de estar agradando a Deus, quando atendia às pessoas.
Em maio de 1976, veio morar com seus filhos em Assaré. Católica fervorosa, Dona Maria jamais deixou de ensinar aos filhos a doutrina cristã e os princípios morais da vida. Com o tempo, começou a rezar em crianças e, daí em diante, de forma geral, herdou as orações que rezava de sua avó, uma senhora italiana de nome Ana Isnhavolin, que dizia a ela que se começasse a praticar o dom de rezar, só parasse por motivo de saúde, e foi o que aconteceu.
No dia 04 de julho de 2008, dona Maria falece. Para os familiares, ela nunca deixará de ser a supermãe Dona Maria Paulista e, para aqueles que a admiravam, a amiga inesquecível.
Por esse motivo, a Gestão Municipal e a Secretária de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer lhe conferiram o título de Mestra da Cultura do Município de Assaré.



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MESTRE: Maria Madalena Moreira
Mestra Dona Madalena

Maria Madalena Moreira nasceu na Cidade do Assaré, no dia 30 do novembro de 1924. Filha de Francisco Moreira e Raimunda da Silva Louredo, de origem portuguesa.
Veio para Recife e de lá, para Assaré. Aqui, além de Dona Madalena, teve mais três filhos: José Moreira, Benedita Moreira Nunes e Geraldo Rogério. Dona Madalena foi educada nos costumes da Religião Católica, à qual se dedicou a vida toda. Teve um namorado, que pretendia se casar com ele. Porém, o mesmo foi embora e não voltou. Ela não casou com mais ninguém.
Dedicou sua vida à sua religião, à ajuda aos necessitados, adotou e educou os filhos: Raimundo Rogerio Neto, Francisco Glaubério Alencar Rogerio, Antônia Aureliana Alencar Rogério e Raimundo Diego Alencar Rogério, que sempre tiveram um respeito imenso por Dona Madalena.
Dona Madalena, para manter suas despesas, numa época de dificuldades econômicas, começou a negociar na feira com bolos, sequilhos e pão de ló, esse último, sua grande especialidade. Dona Madalena foi uma pessoa extraordinária nos dotes culinários. Moça simples, porém, fabricante de produtos com textura e sabor inigualáveis na região. Na feira, seus produtos eram levados além das fronteiras do Assaré, tornando-se encomendas feitas pelas pessoas que tinham bom paladar. Teve sua vida dedicada ao forno artesenal, de onde saíram, durante toda sua vida, seus saborosos bolos e pães de ló. Por esse motivo, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe conferem o título de Mestra do Saberes e Fazeres da Cultura Popular Assareense.



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MESTRE: Maria Regina do Nascimento
Mestra Dona Regina

Dona Maria Regina do Nascimento nasceu no Assaré, no dia 4 de maio de 1904. Desde jovem foi uma mulher decidida em tudo que fazia e queria fazer.
Casou-se muito jovem, isso era comum na sua época. Mãe de 11 filhos, que são: Antonio Ferreira do Nascimento, Lauda Ferreira do Nascimento, João Ferreira do Nascimento, Eldo Ferreira do Nascimento, Elda Ferreira de Souza, Telma Ferreira de Lima, Selma Ferreira de Melo, Francisca Ferreira do Nascimento, José Ferreira do Nascimento (Feijó), Raimundo Ferreira do Nascimento e Emídio Ferreira do Nascimento (Emilio).
Maria Regina teve um marido que não respeitava o sacramento do matrimonio, deixando sua esposa muito chateada. Motivo este, que a fez tomar uma decisão radical, abandonar o marido e ficar ao lado de seus filhos, educando de acordo com os princípios éticos e morais.
Já pensou como foi difícil para uma mulher jovem enfrentar esse desafio na década de 20? Porém, Dona Regina trabalhou muito na roça, criou gado e colocou um pequeno comércio e trabalhava junto aos filhos, ensinando a sobreviverem honestamente, experiência que levaram para vida adulta.
Além de criar seus filhos com dignidade, nunca mais adquiriu outro companheiro em sua vida para não contrariar a educação de sua família. Além de tudo isso, criou filhos de outras pessoas porque eram abandonados ou passavam necessidade financeira. A regra na casa de dona Regina era dar comida a quem tem fome.
Na sua época, médicos não existiam no Assaré, às vezes, somente a passeio. Dona Regina nasceu com o dom da cultura milenar de parteira, herança de seus ancestrais.
Quantas vidas de mulheres foram salvas, quantas crianças foram recebidas pelas mãos habilidosas de dona Regina. Que fosse rica ou pobre; que fosse dia ou noite; que estivesse fazendo sol ou chovendo; que fosse longe ou perto; que fosse a pé ou a cavalo; que seus filhos estivessem doentes ou sadios; quando lhe convidavam, ela estava pronta e gratuitamente fazia os partos e salvava vidas. Uma demonstração de solidariedade com sua comunidade. Sempre foi respeitada na Cidade do Assaré. Tanto que muitos lhe chamavam de ‘‘mãe’’ Regina. Por esse motivo, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe conferiram o título de Mestra do Saberes e Fazeres da Cultura Popular Assareense.



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MESTRE: Maria Zilda Sampaio Mota
Mestra Dona Zilda

Maria Zilda Sampaio Mota (Dona Zilda) nasceu em Campos Sales em 19 de junho 1931. Filha de seu Mariano Fernandes Sampaio e de Antônia Lúcia de Alencar. Casou em 22 de janeiro 1955 com Raimundo Alencar Mota, com quem teve 02 filhos: Raimundo de Alencar Mota Filho e Lúcia de Fátima Sampaio Mota.
Passou no vestibular com 20 anos de idade para Geografia, mas faltaram cinco cadeiras para concluir o curso, devido a um problema de saúde de seu filho. Dona Zilda passou a infância em Assaré, depois de casada foram para Fortaleza, onde moraram 22 anos, e depois retornaram para Assaré.
Aos 30 anos de idade, fez o seu primeiro trabalho com bonecas pra colocar fósforos. Depois, começou a pintar jarros, quadros, bandeja de azulejos e outros. Aprendeu sua arte sem a ajuda de ninguém. Em 1962, comprou uma máquina de estufa em Recife, para trabalhar com as artes em pinturas. As ferramentas que utilizava eram: pincéis, lápis e tintas. As telas e as molduras eram feitas por seu esposo, e dona Zilda fazia somente a pintura.
Ela sonhava com pinturas e, no outro dia, começava a pintar o desenho que havia sonhado, sendo assim a sua grande fonte de inspiração artística. Vendeu muitos quadros, jarros e outras artes, principalmente para pessoas de Fortaleza, que gostavam muito do seu trabalho. Em Assaré, não teve muita aceitação, porque usava materiais importados, o que tornava o valor dos produtos mais caros e exigiam muita mão de obra, por exemplo, a pintura de quadros demora, em média, 08 dias para ficarem prontos.
Em 05 de Março de 2008, recebeu a homenagem de Mestra da Pintura em louça, na semana do Assaré em Arte e Cultura "Festa de Patativa”, pela Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal, pelos Saberes e Fazeres da Cultura Popular Assareeense.


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MESTRE: Pedro Targino da Silva
Mestre Pedrinho do Pandeiro

Pedro Targino da Silva (Pedrinho do Pandeiro) nasceu no dia 20 de dezembro de 1949, na Cidade de Assaré, filho de José Soares da Silva e Josefa Targino da Silva, tinha 04 irmãos: Francisco Lino Targino da Silva, Francisco Leniro Targino da Silva, Francisco de Assis Targino e Maria Ermilia de Oliveira Chagas. Casou-se com Socorro Florenço, com quem teve 02 filhos: Fernanda Oliveira Targino da Silva e Ricardo Oliveira Targino da Silva.
Começou a tocar pandeiro aos 08 anos de idade. Aos 20 anos foi para São Paulo, onde morou por 07 anos e depois voltou para sua terra natal, Assaré. Com a sua vinda reavivou os laços de amizade com os seus conterrâneos e formou um grupo musical com o nome "Os Imitáveis", que tocava MPB. O grupo durou apenas 01 ano, e se apresentava com o objetivo de melhorar a renda familiar dos seus componentes. Pedro sabia as notas musicais e já havia tocado com vários grupos famosos, tendo participação com os “Demônios da Garoa”. Também tocou bateria e gostava de choro e samba, tendo como parceiros Valter, Targino (falecido), Geovane e Luizão de Telma. Amante da música, cantava bem samba e seresta. Porém, o seu forte, era a paixão pelo pandeiro, companheiro no momento de distração com a bebida do lado, mas também tocava bateria e ensinou a diversas pessoas a arte de tocar pandeiro. Para garantir o sustento familiar, trabalhou em várias profissões como: agricultor, garçom, pedreiro e açougueiro. Pedrinho aposentou-se, devido ao problema de saúde e passou a tocar muito pouco, todavia a paixão dele era continuar se apresentando com o seu pandeiro.
Como diz Adão Modesto e Valter do Cavaquinho:
 - Fomos amigos de Boêmia.
Pela tradição e respeito à Pedro Targino da Silva a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer junto à Gestão Municipal o homenagearam com o título de Mestre dos Saberes e Fazeres da Cultura Popular Assareense.



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MESTRE: Plácido Cidade Nuvens
Mestre Dr. Plácido

Permita-nos a família do ilustre homenageado, dizer que, foge das nossas possibilidades, publicar a biografia do Dr. Plácido Cidade Nuvens, que recebeu a titularidade de Mestre Imortal da Cultura deste Município. Justifica-se: não há como resumir, a três ou quatro laudas a história de vida de um dos mais brilhantes brasileiros de todos os tempos. O seu perfil biográfico, que um dia será escrito por alguém, mesmo em formato compacto, ocupará centenas de páginas ou até milhares.
O nosso compromisso, hoje, com o Dr. Plácido Cidade Nuvens, não se reportará ao garoto prodígio das escolas de Santana do Cariri. Nem, tampouco, ao estudante que assustou os padres do Seminário São José, do Crato, e do Seminário da Prainha, em Fortaleza, pelo grau de desenvoltura ao aprender e socializar os conteúdos com tanta espontaneidade. Não faz parte da nossa intenção, destacar a sua construção intelectual ao se diplomar mestre e doutor nas melhores universidades da Europa. E que o seu regresso ao País, deu-se por fortes constrangimentos, porque a Europa queria arrebatá-lo, para alimentar as suas universidades com o saber. Não nos intenciona, da mesma forma, lembrar que ao pisar no solo no brasileiro, as universidades do Sudeste montaram barricadas, obstruindo o seu caminho do regresso à sua a terra, de onde um dia saiu, mas prometendo voltar.
Pode-se dizer, que Dr. Plácido ganhou todas as batalhas, para as quais se programou. Como também, saíra-se vitorioso, até mesmo, em outras que súgiram repentinamente no percurso. Em destaque, o Museu Paleontológico de Santana do Cariri e a sua entrada na política, que o levou ao Paço Municipal da sua Cidade.
Depois das justificativas, adentraremos ao que nos interessa.
O que nos faz enaltecer a memória do Dr. Plácido Cidade, aqui em Assaré, concedendo – lhe a titularidade de Mestre da Cultura, dá-se por conta do vínculo intelectual, que se consolidou entre ele e o Poeta Patativa, por décadas.
Crato 1957 O adolescente Plácido devorava as páginas dos volumosos livros, adotados pelo Seminário São José, local de estudos e profunda reflexão. No mesmo ano, Patativa recebia o seu primeiro livro, publicado com o título de capa: Inspiração Nordestina. Durante os dias úteis, o poeta lidava com os instrumentos rudes da agricultura e, nos finais de semana, tirava cantorias e vendia o seu livro.
Em suas férias, ao chegar à casa, o seminarista encontrou um exemplar de Inspiração Nordestina, adquirido por seu pai, diretamente de Patativa. Curioso pela leitura, deu de mão ao livro. Tudo que estava ali expresso em versos, produzia significados filosóficos, porque se voltava totalmente ao social. O poeta assareense denunciava as injustiças, a falta de políticas públicas, que deixava um grande vazio entre o poder e o povo.
Com o reinício das aulas, regressa ao Seminário São José, mas não se esquece do livro. Nos intervalos, caladinho e meio escondido, temendo represália do Monsenhor Pedro Rocha, intelectual e professor em várias disciplinas, que poderia rejeitar a linguagem cabocla, lia e relia as epopeias do vate da mão calosa.
O Assaré, como os demais municípios do Cariri tem vários motivos para elevar reverências ao Dr. Plácido Cidade Nuvens, a figura de número 1 do ensino superior, reconhecido da Região. Ao renunciar a um posto de trabalho na comunidade científica europeia, ou declinar aos convites das universidades brasileiras, ele agia coerentemente para blindar o compromisso que fizera a si mesmo: regressar à sua terra, para defender o seu sonhado projeto da educação universitária. Uma ação de humildade extrema. A opção pelo cariri só vem fortalecer o seu nível de consciência ética.
Ao regressar, mesmo que em plena ditadura militar, assumiu o braço social da Fundação Padre Ibiapina, entidade diocesana, com o objetivo de desenvolver projetos de conscientização das classes sociais menos favorecidas. Foram ações que percorreram todos os municípios do Cariri, envolvendo rurícolas, ao incrementar as políticas trabalhistas nos sindicatos de trabalhadores rurais, como ainda, levar a motivação ao associativismo. Órgão da mesma entidade, a Faculdade de Filosofia do Crato, sob a sua orientação pedagógica, modernizava os seus conteúdos e entrava no processo de reconhecimento. Em paralelo, motivou a criação do Curso de Direto, no Crato.
A grande vitória, obtida pelo professor Plácido, ocorreu inesperadamente, muito embora, na época de grande ativismo da sua vida, ou seja: prefeito, professor ativo e pesquisador. A história será contada em poucas palavras: Na abertura da EXPOCRATO, o governador Gonzaga Mota aproximou-se do professor Plácido, no palanque, e cochichou dizendo que precisava falar com ele, urgentemente. Discurso vai, discurso vem e, ao final, Gonzaga puxa-lhe com ar de inquietação e vai direto ao assunto, com estas palavras:
“Plácido, eu vou criar a Universidade do Cariri e tenho urgência, porque o meu governo se aproxima do final. Para facilidade do processo, liguei para D. Vicente, propondo a compra da Faculdade de Filosofia. Ele não aceitou a nossa proposta. Então, a única pessoa capaz de dobrá-lo, será você. Vamos fazer a Universidade do Cariri acontecer?”.
De fato, Dr. Plácido conseguiu convencer o bispo, indo com ele ao governador, presenciando a negociação, fazendo esforços para eliminar dúvidas.  Perder uma universidade, seria nada menos do que um ato desastroso.
 Então, todos os municípios do Cariri terão, até por obrigação ética, que dedicar um capítulo da sua história ao mestre Plácido Cidade Nuvens.
Por esse motivo, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe reconheceram como Mestre da Cultura Popular Assareense.



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MESTRE: Raimundo Alencar Mota
Mestre Mundinho Mota

Raimundo Alencar Mota (Mundinho Mota) nasceu em Assaré, em 27 de janeiro de 1930, filho de Abel de Alencar Mota e Ana de Alencar. Casou-se com Maria Zilda Sampaio Mota, com quem teve dois filhos: Lúcia de Fátima Sampaio Mota e Raimundo de Alencar Mota Filho.
Aos 30 anos de idade, iniciou sua arte em madeira, fazendo porta copos e bandeja de madeira com azulejo. Aprendeu essa arte sozinho, sem incentivo de ninguém. Sua habilidade adquiriu respeito no Município todo, usando ferramentas simples como faca de mesa, serra e martelo, para bater os pregos nas armações de madeira, que têm um bom custo para o mercado local.
A madeira que utilizava para fazer uma arte, era cedro, compensados e outras fáceis de serem trabalhados.
Ele também se especializou em altares, andores de santos, tudo em madeira.
Sempre vendeu seus produtos nas feiras exposição do Crato e às pessoas amigas, que iam em sua casa comprar os produtos produzidos por ele.
No ano de 2009, a Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer e a Gestão Municipal lhe conferiram o título de Mestre da Cultura Assareense pelos Saberes e Fazeres Populares.


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